APRESENTAÇÃO


Bacharel em Matemática pela Universidade de Brasília (1976) e Doutor em Química (Físico-Química) pela Universidade de São Paulo (1981). Pós-Doutoramento na The Queen's University of Belfast (UK, 1982), Purdue University (EUA, 1987) e University of Houston (EUA, 1999). Foi contratado no Departamento de Química da UFSCar em 1980. Trabalhou também no Departamento de Física da UFPE (1985-1986) e no Instituto de Química da UNICAMP (1994-1995). Atualmente é professor Associado IV da Universidade Federal de São Carlos. Possui experiência na área de Química, com ênfase em Química Teórica, atuando principalmente nos seguintes temas: utilização de métodos de química quântica, Monte Carlo e dinâmica molecular para estudar termodinâmica de líquidos e processos químicos em solução, incluindo moléculas & sistemas de interesse biológico. Atua também no desenvolvimento de software para simulação computacional, sendo considerado um dos pioneiros no desenvolvimento desta área de pesquisa no país. Orientou 11 dissertações de Mestrado e 12 teses de Doutorado. Foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Química da UFSCar de 1992-1993 e 2010-2011. Coordenou a organização do VII Simpósio Brasileiro de Química Teórica (1993). Na Sociedade Brasileira de Química (SBQ) foi Diretor da Divisão de Físico-Química (1994-1996) e Secretário Geral de Maio/1996 a Maio/1998; Membro do Comitê Organizador do XIV Simpósio Brasileiro de Química Teórica (2005-2007); Membro do Comitê de Química da CAPES no período de 2000-2009. É membro do Conselho Fiscal do PROIFES-FEDERAÇÃO. Em atividades culturais, apresenta semanalmente deste maio de 2007, o programa A arte do Blues na Rádio UFSCar 95,3 FM e www.radio.ufscar.br.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Dados para Cálcular o Calor de Combustão de Moléculas de Biodiesel


Utilizando a Lei de Hess e valores obtidos com o Programa MOPAC2012 para o CALOR DE FORMAÇÃO, calcule o calor de combustão das moléculas abaixo.
No texto "bio" refere-se à parte polar e comum às moléculas de biodiesel, R à cadeia
carbônica  { CnH2n+1 }.

 Dados

bio-R4.arc:    HEAT OF FORMATION =  -111.42801 KCAL/MOL =  -466.21478 KJ/MOL
bio-R10.arc:  HEAT OF FORMATION =  -142.10639 KCAL/MOL =  -594.57315 KJ/MOL
bio-R12.arc:  HEAT OF FORMATION =  -152.31095 KCAL/MOL =  -637.26900 KJ/MOL
bio-R14.arc:  HEAT OF FORMATION =  -162.51602 KCAL/MOL =  -679.96703 KJ/MOL

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dados para o cálculo de u (potencial químico) para transferência do ion entre solventes.

1- Estudar a dedução /obtenção da equação de Arrhenius para a constante de equilibrio Keq.
Utilizar os dados abaixo para calcular Keq entre água e os outros solventes
 (ions K+ ;  Na+ ;  Mg 2+ )

k/agua/       HEAT OF FORMATION       =       -202.47790 KCAL/MOL =    -847.16751 KJ/MOL
k/hccl3/      HEAT OF FORMATION       =       -191.51460 KCAL/MOL =    -801.29708 KJ/MOL
k/methanol/  HEAT OF FORMATION     =       -201.24825 KCAL/MOL =    -842.02269 KJ/MOL
k/vacuo/       HEAT OF FORMATION      =       -162.01373 KCAL/MOL =    -677.86546 KJ/MOL

mg/agua/      HEAT OF FORMATION      =       -131.49366 KCAL/MOL =    -550.16948 KJ/MOL
mg/hccl3/      HEAT OF FORMATION     =       -92.80489 KCAL/MOL =    -388.29567 KJ/MOL
mg/methanol/  HEAT OF FORMATION   =      -127.20127 KCAL/MOL =    -532.21011 KJ/MOL
mg/vacuo/     HEAT OF FORMATION      =        14.06422 KCAL/MOL =      58.84469 KJ/MOL

na/agua/        HEAT OF FORMATION      =       -203.96239 KCAL/MOL =    -853.37863 KJ/MOL
na/hccl3/       HEAT OF FORMATION      =       -193.08089 KCAL/MOL =    -807.85044 KJ/MOL
na/methanol/   HEAT OF FORMATION    =       -203.07857 KCAL/MOL =    -849.68073 KJ/MO
na/vacuo/      HEAT OF FORMATION   =       -162.03713 KCAL/MOL =    -677.96334 KJ/MOL

cálculos efetuados com o MOPAC 2012.







terça-feira, 4 de novembro de 2014

E a comunidade científica?


Em 1975, em pleno Governo Militar, quando o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha foi assinado, a comunidade científica, durante Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em BH, campus da UFMG, reuniu-se extraordinariamente para discutir as implicações político-tecnológica e, possivelmente, militares de tal acordo. Discussões acaloradas foram realizadas! Manifestações posteriores foram importantes para a discussão do modelo energético, contribuindo também para a  reconquista da liberdade de expressão.
É intrigante que, em plena crise energética e ambiental, a ONU divulgando estudos sobre sustentabilidade e abolição dos combustíveis fósseis, a comunidade científica brasileira não compareça para debater implicações da exploração do petróleo do pré-sal.
Uma análise simples do Salão do Automóvel 2014 mostra o desenvolvimento tecnológico direcionado para a abolição dos combustíveis fósseis. Logo, o debate sobre a estratégia de exploração do pré-sal é urgente e necessário. Estudos sobre como neutralizar o carbono novo que virá para a atmosfera são absolutamente imprescindíveis.

E a comunidade científica?


Em 1975, em pleno Governo Militar, quando o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha foi assinado, a comunidade científica, durante Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em BH, campus da UFMG, reuniu-se extraordinariamente para discutir as implicações político-tecnológica e, possivelmente, militares de tal acordo. Discussões acaloradas foram realizadas! Manifestações posteriores foram importantes para a discussão do modelo energético, contribuindo também para a  reconquista da liberdade de expressão.
É intrigante que, em plena crise energética e ambiental, a ONU divulgando estudos sobre sustentabilidade e abolição dos combustíveis fósseis, a comunidade científica brasileira não compareça para debater implicações da exploração do petróleo do pré-sal.
Uma análise simples do Salão do Automóvel 2014 mostra o desenvolvimento tecnológico direcionado para a abolição dos combustíveis fósseis. 
Logo, o debate sobre a estratégia de exploração do pré-sal é urgente e necessário. 
Estudos sobre como neutralizar o carbono novo que virá para a atmosfera são absolutamente imprescindíveis.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Projeto I - Termodinâmica Química.


Encontrar a área cultivada necessária para produzir etanol suficiente
para movimentar um carro hipotético durante um ano.

- dados do carro e consumo: genérico.

- dados sobre combustão do etanol:

1) Calorimetria

http://labquimicateorica.wordpress.com/ensino-de-quimica-2/dissertacao-metodos-multimidias-no-ensino-de-conceitos-de-quimica/calorimetro/

2) Combustão do etanol.

http://labquimicateorica.wordpress.com/ensino-de-quimica-2/dissertacao-metodos-multimidias-no-ensino-de-conceitos-de-quimica/combustao-metanol-etanol-e-sacarose/

Por favor faça comentários sobre a utilidade do vídeo. Estas serão importantes  para a dissertação de mestrado da aluna.

-dados sobre a produtividade de etanol / hectare.

Linhas gerais: 1tonelada de cana produz aprox 90 litros de etanol. 
A produtividade média no Brasil está em 80 ton / hec ano, ou seja, 
dá a grosso modo 7200 L/hec num ano.

Esses são dados bem gerais. Valores mais detalhados no site do CEPEA,

http://www.cepea.esalq.usp.br 

domingo, 20 de abril de 2014

O Investimento em Pesquisa no Brasil

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O Investimento em Pesquisa no Brasil

Prof. Luiz Carlos Gomide Freitas
ADUFSCar
Departamento de Química - UFSCar

As cenas iniciais do filme “2001, uma odisseia no espaço”, dirigido por Stanley Kubrick em 1968, são emblemáticas ao sintetizar as consequências do domínio da técnica e do conhecimento para o futuro humano [1]. Assim, em linhas gerais, a história do filme registra a estreita correlação entre conhecimento científico e tecnológico e a predominância cultural, política,  econômica e militar.
Embora as ações para a criação de ambientes e condições apropriadas para o desenvolvimento científico e tecnológico estejam presentes no histórico de vários países, o cenário que emerge após o conflito generalizado de 1939-1945 - Segunda Guerra Mundial -, apontou outras necessidades e desafios para a gestão do citado desenvolvimento.
Os custos elevados com pesquisa, a questão fundamental da definição de prioridades, a competição entre nações, o surgimento da Guerra Fria e seus requisitos sobre sigilo, impuseram novos paradigmas para a gestão do desenvolvimento da ciência e tecnologia. Segundo a ‘lenda’, existe a frase de um General do Exército dos EUA, “a ciência é muito importante para ser deixada nas mãos dos cientistas”.
No Brasil, logo após o término da 2a Guerra Mundial, alguns eventos, muitos dos quais concretizando aspirações e projetos iniciados em décadas anteriores, contribuíram significativamente para mudar o cenário do desenvolvimento científico e tecnológico:

1-    A criação do Conselho Nacional de Pesquisa, CNPq, em abril de 1949, “uma instituição governamental, cuja principal função seria incrementar, amparar e coordenar a pesquisa científica nacional” [2].
2-    A criação, em 1951, da Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior” a atual CAPES, com a missão de “assegurar a existência de pessoal especializado em quantidade e qualidade suficientes para atender às necessidades dos empreendimentos públicos e privados que visam ao desenvolvimento do país"  [3].
3-    A consolidação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, CBPF, instituição fundada em 1949 com vocação para a pesquisa científica fundamental na estrutura da matéria [4].
4-    A consolidação, em 1950, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), agregado ao Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA), em São José dos Campos, cidade do interior do Estado de São Paulo [5].
5-    A fundação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), em 1951, com a missão de carrear atividades, estreitamente relacionadas entre si, visam promover o conhecimento matemático, fundamental para o desenvolvimento das ciências e da tecnologia em geral, o que por sua vez é essencial para o progresso econômico e social da Nação” [6].

Logo, nota-se a existência de uma preocupação em criar condições gerais para o domínio completo do conhecimento científico, visando atender às necessidades de um país em franco processo de urbanização, almejando uma indústria pujante, com o objetivo de fazer frente à demanda de serviços gerais de qualidade. Cabe ressaltar que a efervescência da criação da PETROBRAS, em 1953, impunha ao país enormes desafios no campo tecnológico e de gestão.
Estes empreendimentos estão relacionados à esfera do governo federal, mas é importante acrescentar que governos estaduais participavam desta discussão. Ressalta-se que a constituição de 1947 do Estado de São Paulo previu a criação de uma fundação de amparo à pesquisa, no âmbito estadual. Como resultado, a FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, foi criada formalmente em 1960, iniciando as atividades efetivas em 1962 [7]. É importante notar alguns aspectos importantes da criação da FAPESP: i) comprometimento de um percentual não inferior a 0,5% da arrecadação do Estado, repassados mensalmente; ii) a dotação inicial de um fundo de US$ 2,7 milhões para a formação de um patrimônio rentável.
O comprometimento financeiro do Estado, bem como atribuições de gestão no estatuto inicial, viabilizaram a FAPESP, impulsionando decisivamente atividades de pesquisa e a formação de recursos humanos no Estado de São Paulo. Com o advento da pós-graduação, instituições desse Estado contribuíram significativamente para a formação de recursos humanos, sendo importante citar as realizações no âmbito do Plano Institucional de Capacitação Docente (PICD/CAPES), entre os anos de 1970-1980. Houve uma expressiva contribuição para a capacitação de mestres e doutores em todo o país, com reflexos importantes para o desenvolvimento do ensino e pesquisa nos demais estados. A convivência destes mestrandos e doutorandos com o modus operandi da FAPESP contribuiu decisivamente para o desenvolvimento posterior das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) em outros estados brasileiros.
Grande parte das atividades acima citadas tiveram a participação de empreendedores ligados aos setores militares, mas é importante citar outras características que vieram contribuir para a formatação das instituições de fomento à pesquisa. Já na década de 1920, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) pregava enfaticamente a necessidade da criação de uma agência nacional para o fomento da pesquisa. Com a fundação da Sociedade para o Progresso da Ciência (SBPC), em 1948, ampliou-se a participação de outros setores da sociedade, esclarecidos da necessidade do progresso científico para o desenvolvimento social e econômico. A fundação subsequente de sociedades científicas em áreas do conhecimento mais específicas (Sociedade Brasileira de Física (SBF) e a Sociedade Brasileira de Química (SBQ), entre outras) ampliou largamente o leque de discussão de políticas para o desenvolvimento científico e tecnológico.
É importante frisar que, embora as agências de fomento sejam dirigidas por gestores escolhidos por governantes, a ampla participação das sociedades científicas nas esferas de discussão e decisão tem sido decisiva para descortinar horizontes para o desenvolvimento do ensino e pesquisa no Brasil. Cabe ressaltar o papel importante protagonizado pela SBPC e por outras sociedades científicas, nomeadamente em momentos de maior repressão às liberdades democráticas, atuações que foram decisivas para criar canais de discussão e de resistência.
É importante rememorar o fato de, no ano de 1977, o governo militar ter cortado as verbas destinadas à realização da Reunião Anual da SBPC, o que deflagrou um vitorioso processo da sociedade civil para a organização da reunião nas instalações da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em São Paulo. Artistas, comerciantes e outros integrantes contribuíram financeiramente e famílias abriram suas casas para receber congressistas e participantes. Este acontecimento é um marco essencial e histórico da associação definitiva da comunidade cientifica com a sociedade brasileira. (Logo, é imprescindível que as ações reivindicatórias tenham em mente este fato, para não dilacerar estes lanços afetivos fundamentais para a sobrevivência da ciência e de outras atividades acadêmicas)
Outro aspecto importante a ser ressaltado no fomento à pesquisa está na criação laboratórios temáticos de pesquisa e de projetos indutores para o desenvolvimento. Em 1963, foi criado o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (CENPES), voltado para o desenvolvimento de soluções tecnológicas para a PETROBRAS. [8]. Foram criadas durante o governo militar, a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), em 1971 [9] e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1970 [10] . É notável o sucesso de ambos empreendimentos. Em destaque, a liderança da EMBRAER no seu seguimento de mercado. Importante também salientar que o motor flex, fundamental para viabilizar o álcool combustível, foi desenvolvido por engenheiros ligados ao ITA. A produtividade nos segmentos da agropecuária, obtida através das pesquisas da EMBRAPA, tem sido fundamental para a economia brasileira. Foi criado, também, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), vocacionado para a pesquisa da diversidade biológica daquela região [11]. Simultaneamente, deve-se destacar a atuação de pesquisadores destas instituições em programas de pós-graduação, que concorreram para integrar, de forma indelével, as pesquisas básica e aplicada. A visibilidade do impacto da contribuição destes centros de pesquisa no desenvolvimento econômico e de outros setores da sociedade, fortalecem a defesa de políticas de desenvolvimento com foco na pesquisa. O impacto destas realizações precisa ser enfaticamente explorado nas negociações sindicais, bem como repassadas para a população em geral.
A indução de pesquisas na interface com aplicações tem sido realizada através de projetos de fomento, com objetivos delineados. Em geral, editais são publicados e grupos de pesquisa de diferentes instituições se organizam livremente para apresentar propostas. O impacto de Programas como o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT), iniciado em 1984 com recursos do governo brasileiro e do BIRD, em suas três fases (1985, 1991, 1998-2004), está contribuindo decisivamente para fomentar a pesquisa e consolidar programas de pós-graduação em diversas universidades e institutos de pesquisa [12,13].  Mais recentemente (2008), foram lançados os editais para os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT’s) [14], projetos inovadores dada a sua multidisciplinaridade, congregando pesquisadores de diferentes universidades e centros de pesquisa no desenvolvimento de dezenove áreas consideradas estratégicas. Foram criados 101 institutos de pesquisa, após cuidadosa escolha que contou com a participação de avaliadores do país e do exterior. Devido à sua grandeza e aspiração a dados de alto valor científico e tecnológico, o projeto é coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com CNPq e CAPES e com a participação importante de agências de fomento estaduais. Inicialmente, foram destinados R$ 600 milhões (600 milhões de reais) [14] para projetos quinquenais. Cabe citar a vasta gama de interesses tratados, abrangendo deste o agronegócio e energia, passando pela área das doenças negligenciadas, produção de novas vacinas, política públicas para diferentes setores, etc. A forte descentralização dos grupos de pesquisa permite a integração de pesquisadores de todas as regiões do país. Devido ao sucesso destes institutos, aguarda-se o lançamento de editais para uma nova fase quinquenal. Recursos para obras de infraestrutura em geral, incluindo novas edificações, reformas e compras de equipamentos, são disponibilizados via projetos submetidos à agencia governamental FINEP dentro da linha de financiamento CT-INFRA. Estes recursos são fundamentais para a expansão universitária [15].
Outro ponto importante é a gradativa descentralização das decisões para concessões de bolsas de estudos e investimentos na pós-graduação. Seguindo rígidas avaliações trienais de mérito, elaboradas pela CAPES, recursos para a pós-graduação, incluindo bolsas de estudo e compra de equipamentos, são repassados diretamente às universidades. Os programas melhores avaliados, notas máximas 6 e 7, recebem diretamente os recursos, o que proporciona uma grande flexibilidade na aplicação do mesmo, contribuindo decisivamente para a tomada local de decisões  e definição da gestão de qualidade.
Outra importante conquista da comunidade científica são os portais de periódicos científicos. O Portal de Periódicos da CAPES [16] proporciona o acesso fácil a mecanismos de busca em milhares de revistas científicas internacionais, facultando à comunidade científica, tecnológica e empresarial o acesso a milhares de títulos em praticamente todas as áreas do conhecimento. Cabe ressaltar que o Portal de Periódicos foi uma iniciativa pioneira da FAPESP, sendo posteriormente encampada pelo CNPq e CAPES.
Uma iniciativa importante para a divulgação das publicações em revistas científicas nacionais foi a criação do portal Scielo Brasil, lançado inicialmente pela FAPESP e contando, desde 2002, com auxílio do CNPq [17]. A divulgação neste site, de livre acesso, melhorou consideravelmente a visibilidade da produção científica nacional, tanto no país quanto no exterior, aumentando o índice de impacto de várias revistas. Outra consequência importante da divulgação internacional é que várias revistas brasileiras recebem hoje artigos submetidos de outros países, contribuindo para a formação de um novo nicho de oportunidades para divulgação científica a baixo custo e acesso livre. Em colaboração com outros países, a participação no projeto Scielo internacional contribui para divulgação da produção cientifica dos países da América Latina, África do Sul e Espanha [18].
Em linhas gerais, descortinamos elementos centrais para que o progresso histórico do investimento em pesquisa no Brasil seja apreciado. Embora problemas significativos tenham ocorrido no tempo, é possível afirmar que existe uma tendência segura para cimentar pesquisa e ensino de qualidade como requisitos fundamentais para o progresso social. Iniciativas para o repasse do conhecimento acadêmico e tecnológico para outros setores da sociedade, incentivos a atividades empreendedoras, etc., estão em destaque. Gradativamente, pode-se constatar a vocação de estudantes de graduação e pós-graduação para criarem empresas de tecnologia, utilizando com eficiência o aprendizado recebido e mantendo contatos posteriores com a instituição universitária. Devem-se ressaltar programas especiais das agências de fomento voltados para o desenvolvimento de projetos em ‘incubadoras de empresas’ bem como de projetos em empresas já estabelecidas. O Programa Pesquisas Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP é um bom exemplo desta iniciativa [19].
Uma leitura política consistente deste quadro de realizações permitirá aos nossos sindicatos uma participação fundamental neste debate, contribuindo decisivamente para a tomada de decisões e processos de gestão aderentes ao progresso social que almejamos.


Sugestões para o debate:
-       Internacionalização: uma janela de oportunidades.
-       Participação externa em editais (INCT – PADCT).
-       Ampliar a utilização do Portal de Periódicos para outros países.
-   Ampliar a política de bolsas de estudos para estudantes latinos americanos em programas de pós-graduação no Brasil e vice versa.
-  Facilitar o acesso de pesquisadores latinos americanos a laboratórios de universidades e centros de pesquisa do Brasil, e vice versa.


Referências

domingo, 1 de dezembro de 2013

Avaliação Sequencial


Proposta de Avaliação Sequencial.

Mais verbas para Educação é um imperativo para ampliar o acesso à Educação Pública, mas discutir novas formas de gestão para a eficiência das escolas é também fundamental.
Constata-se na universidade pública um índice alarmante de retenções, ou seja, discentes que levam mais tempo para se formar comparado ao esperado no planejamento do curso. Este problema contribui para elevar de forma dramática custos, acarreta danos pessoais e familiares irreparáveis (o tempo não para!) e entraves para a sociedade em geral. Em um curso com duração prevista de 5 anos, por exemplo, cada grupo de 5 alunos retidos um ano na instituição corresponde, praticamente, à formação de outro discente com o mesmo custo.
Determinadas disciplinas, devido ao número elevado de reprovações e posição na grade curricular, contribuem para elevar a estatística da retenção e merecem uma análise especial. Logo, medidas acadêmicas para diminuir as reprovações, sem prejuízo para a qualidade da formação discente, devem ser discutidas.
Este texto apresenta um projeto de  Avaliação Sequencial, em um formato que consideramos indicado para diminuir significativamente o impacto das reprovações no desenvolvimento da grade curricular.

Para discutir esta metodologia, vamos exemplificar com disciplinas hipotéticas D1 e D2, cursadas por um grande número de discentes e que apresentem um elevado número de reprovações.
Consideração Geral
Na Avaliação Sequencial deve-se adotar rigorosamente a máxima que o(a) discente deve saber com clareza os objetivos a serem atingidos e qual o grau de dificuldade.  Logo, exemplos explícitos de provas devem ser divulgados periodicamente. As decisões sobre quando ser avaliado repousa sobre o(a) discente, cabendo a este(a) desenvolver um processo contínuo de auto avaliação. A dinâmica do processo é resumida abaixo.

1)   A ementa da disciplina é divida em 10 unidades.
2)   Os objetivos de cada unidade e os exercícios avaliativos correspondentes são definidos previamente e amplamente divulgados.
3)   Aulas expositivas são oferecidas para esclarecer objetivos e conceitos de cada unidade.
4)   Avaliações são oferecidas regulamente duas vezes por semana.
5)   O(a) discente é avaliado na unidade I. Sendo aprovado, passa para a seguinte. (A dinâmica da avaliação será explicitada abaixo)
6)   Quando completar as 10 unidades, está aprovado com média 7,5.
7)   Em caso contrário, digamos, completou somente 6 unidades no semestre, no período seguinte iniciará de onde parou. Pode-se propor períodos de avaliação durante as férias escolares, recompondo o fluxo.
8)   Quando o(a) discente completar as 10 unidades da disciplina D1, poderá iniciar a disciplina D2 no mesmo semestre, não perdendo tempo precioso esperando o período letivo seguinte.


Sobre a avaliação.

1)   Para cada unidade I existirá um banco de questões, divulgadas previamente. Logo, o(a) discente sabe com antecedência o que será cobrado e o grau de dificuldade, visto que poderá exercitar-se resolvendo as questões do banco de provas. O conhecimento prévio das questões que compõem a avaliação permitirá que o(a) discente dedicado exercite-se nos períodos de férias.
2)   Sessões de avaliação são oferecidas regularmente, cabendo ao discente decidir quando vai se submeter à avaliação da unidade correspondente.
3)   No momento da avaliação serão sorteadas uma ou duas questões deste banco.
4)   Após a aprovação nas 10 unidades, o(a) discente que desejar elevar a média, poderá realizar um exame final. Este exame será aplicado em data previamente anunciada e poderá ser realizado uma única vez.

Sobre a dinâmica das aulas e avaliações.

1)   Salas de aula serão determinadas por unidade.
2)   As aulas serão de 30 minutos, e ao final da mesma o(a) discente poderá solicitar a avaliação, tendo 60 minutos para resolver a prova sorteada.
3)   A nota desta avaliação deverá ser conhecida em até 12 horas a contar da realização da mesma.
4)   Para evitar exames ‘tentativa e erro’, para cada unidade, até a 3a avaliação consecutiva, a prova conterá apenas uma questão. Depois da 3a avaliação, a prova passará a conter duas questões.


Sobre as correções de Prova.

Serão efetuadas por professores, professores substitutos e/ou monitores (alunos de pós-graduação). Desnecessário dizer que a dinâmica e critério de correção são definidos em pleno acordo com os objetivos previamente divulgados para aquela unidade. Assim, o(a) discente, em condições ideais, que realizar 10 provas, sendo aprovado antes da 3a tentativa em todas elas, terá ‘acertado’ 10 exercícios plenamente, um número comparativamente maior que a média de acertos na avaliação tradicional com 3 provas no semestre.

Em linhas gerais, esta é a proposta. Cabe citar que metodologia semelhante foi adotada na Universidade de Brasília no passado.

Prof. Gomide
Departamento de Química
UFSCar.